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Bate papo com o ator Otávio Augusto

50 anos na carreira artística não é para qualquer um. Para chegar a este renome, das duas uma: ou se é muito louco, ou se é muito dedicado. Independente do motivo, esse é o currículo do ator Otávio Augusto que já trabalhou em dezenas de filmes, novelas, minisséries e clássicos dos palcos nacionais, como “A ópera do malandro”, “Galileu Galilei” e “O rei da vela”, durante suas cinco décadas de atuação.

Longe do teatro desde 2009, o ator ficou entusiasmado com a ideia de voltar aos palcos após ler A Tropa, dirigida por Cesar Augusto. Ele recebeu o texto do autor Gustavo Pinheiro com um convite para protagonizar a montagem no papel de um ex-militar, viúvo e pai de quatro filhos. Um homem autoritário que, no leito de hospital, vê as relações veladas da família serem descortinadas.

Para a sorte do público e para a diversão do belo-horizontino, Otávio aceitou o convite. Agora, “A Tropa” está chegando à Belo Horizonte nos dias 19 e 20 de agosto, no Teatro Sesiminas. Por onde passou, o espetáculo foi só sucesso. Já se foram duas temporadas no Rio de Janeiro, destaque de público e crítica em São Paulo, Brasília, São José dos Campos, Friburgo e Teresópolis.

Este é o figurino que Otávio usa durante a apresentação (foto: Elisa Mendes).
Este é o figurino que Otávio usa durante a apresentação (foto: Elisa Mendes).

A sinopse é incrível. Um pai doente recebe a visita dos quatros filhos no hospital. O que seria apenas um encontro em função de um parente debilitado se revela um acerto de contas familiar, permeado de humor e afeto. O pano de fundo desse encontro são os últimos 50 anos de história brasileira, dos pesados tempos da ditadura militar à Operação Lavo Jato.

Nós do Contorno de BH batemos um papo exclusivo com o ator e agora vocês podem ler algumas perguntinhas que fizemos para ele. Olhem só:

 

Ícaro Ambrósio Pergunta para Otávio Augusto:

Uma família lavando roupa suja e discutindo política. O que o público pode esperar desse entrosamento?
Mais do que discutindo política, a peça mostra uma família discutindo sobre tudo que qualquer família discute: afeto, alegrias, parentes – legais ou chatos-, mágoas, lembranças, culpas, segredos, histórias de família, coisas que todos julgam esquecidas, mas que de repente alguém traz à tona. O resultado é que a peça faz com que o público pense, reflita, mas também se divirta demais.

Por que falar de política em uma peça teatral de humor?
O Brasil de hoje, só rindo (risos)! O humor sempre foi a melhor forma de criticar e fazer pensar. Quando a plateia ri e relaxa é que a gente pega o público pelo pé (risos)!

Podemos imaginar que o texto da peça se confunde com sua história pessoal ou com a história da sua carreira?
O texto da peça fala de uma época que eu vi e vivi de perto. Nos anos 60 eu estava em São Paulo, fazendo teatro no Grupo Oficina, até hoje um dos mais importantes do Brasil. Meu personagem é um militar aposentado que recebe a visita dos quatro filhos no hospital. O reencontro desses cinco homens deflagra uma série de histórias e sentimentos que percorrem os últimos 50 anos do Brasil. Que família brasileira não passou pela ditadura, pelas Diretas Já, pelo confisco da poupança do Collor, pela criação do Real, a eleição do Lula, o impeachment da Dilma? Todas! A história do país se embola com a história de cada família brasileira.

Um quarto de hospital é muitas vezes assemelhado a um lugar de tristeza. Foi difícil tornar esse cenário um ambiente para o humor?
A ideia do autor e do diretor era confinar esses cinco homens em um ambiente em que não houvesse possibilidade de fuga. É um pai e quatro filhos, completamente diferentes entre si, que tem que se entender. O quarto de hospital também é uma metáfora do Brasil. O país está doente, tentando se salvar.

Acredito que durante os 50 anos de carreira, você tenha vivido tanto quando atuado. Você teria vontade de tornar alguma história de vida em uma peça teatral?
Não, há centenas de ótimas peças já escritas e muito mais interessantes para serem montadas (risos).

Nestes seus 50 anos de carreira, qual foi o seu papel mais querido? Independente de qual seja a plataforma de atuação.
É impossível escolher um só. Foram muitos bons trabalhos no teatro, na TV e no cinema. Seria até uma injustiça escolher só um. Tenho a consciência de que sou um privilegiado: trabalho no que amo, que é atuar.

Após tantos anos nas telas, chegou a hora de aposentar e ficar apenas nos palcos?
De jeito nenhum! Ainda este ano devo fazer dois novos filmes e também devo participar no começo do próximo ano de alguma minissérie ou novela na TV Globo, emissora que sou contratado.

O que é mais fácil de fazer, teatro, cinema ou televisão? E o mais difícil? Por que?
Não existe mais fácil ou mais difícil. Cada um dos veículos tem suas facilidades e dificuldades. Mas é para o teatro que tenho enorme prazer em voltar sempre. É no palco que eu me reciclo.

Vejam só o recadinho que o Otávio deixou para nós nas redes sociais:

 

Data: Dias 19 e 20 de agosto. Sábado, às 21h, e domingo, às 18h
Local: Teatro Sesiminas (R. Padre Marinho, 60, Santa Efigênia – Belo Horizonte/MG)
Valores: R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia entrada
Classificação: 14 anos
Compre em: na bilheteria do Teatro Sesiminas ou pelo site www.tudus.com.br

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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