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Amor faz que mãe crie exposição para desmitificar a síndrome de down

Melhores amigas, mãe luta para que filha tenha respeito da sociedade (foto: arquivo pessoal).
Melhores amigas, mãe luta para que filha tenha respeito da sociedade (foto: arquivo pessoal).

Foi o amor à filha e ao próximo que fizeram a fotógrafa Cecília Schirmer criar uma exposição com fotografias que mostram as diversas possibilidades de inclusão da pessoa com síndrome de down à sociedade.  Nomeada de “47 cromossomos e 1.000 possibilidades”, a mostra reúne fotos de pessoas com a síndrome em situações comuns do cotidiano e prova que os diagnosticados levam uma vida comum.

Cacília é bastante ligada à família. É possível ver isso ao longo da entrevista. Antes do projeto iniciar, a mãe tentava encontrar uma programação para fazer com a pequena  a filha, a pequena Rafaela Schirmer, mas não encontrava. Foi aí que ela assumiu o compromisso de fotografar e mostras às pessoas das “mil possibilidades” dessas pessoas que praticam esportes, estudam, trabalham e namoram.

Mãe e filha são um xodó só. Cecília faz questão de contar da amizade com Rafaela. De que Rafaela é a sua musa inspiradora e a descreve como uma meiga, dócil, comunicativa, extrovertida e linda. A fotógrafa destaca que a pequena transformou sua vida para melhor e ainda afirma que a criança mostra a todo tempo que não é preciso de muitas mudanças para encontrar a felicidade. “Aprendi com ela o lado simples da vida”, diz a mãe.

Sempre engajada em projetos sociais, no passado, Rafaela colaborou com residentes do asilo Lar Maria Clara, em Contagem, Essa vivencias com idosos deu a ela a experiência que precisava para criar o seu próprio projeto. Agora, sua luta é para que a sociedade aceita as diferenças inerentes e trate todos da mesma forma.

47 cromossomos e 1.000 mil possibilidades está exposta no Shopping Boulevard e ficará até o dia 17 de setembro. O repórter Ícaro Ambrósio, do Contorno de BH, conversou com Cecília que além de fotógrafa é também a curadora da mostra. Veja só o bate papo:

 

Ícaro Amrósio Pergunta para Cecília Schirmer

47 cromossomos e 1.000 possibilidades é um título bastante motivador e reflexivo. O que exatamente você queria que o público enxergasse ao ler este título e observasse sua exposição?
É um título que leva o público a pensar o que é 47 cromossomos. Até mesmo porque muitas pessoas não sabem o que significa cromossomos.  Quando estava procurando um título para o projeto queria algo que fosse bem diferente da palavra Down.  Veio-me na cabeça que uma pessoa com Síndrome de Down tem um cromossomo a mais então seria 47 cromossomos e como na exposição mostro que todos eles têm oportunidades de fazer o que quiser, então seria mostrar 1000 possibilidades. Assim ficando 47 Cromossomos e 1000 possibilidades.

Há quanto tempo você fotografa crianças com down? Como é seu histórico com esse tipo de trabalho?
Na verdade não tenho um trabalho específico só com pessoas com Down. Trabalho com fotografia há oito anos e já realizei vários trabalhos. Na síndrome de down tenho experiência desde o nascimento da minha filha Rafaela. Sempre estou com a máquina para registrar momentos com ela em família e sozinha. Gosto de desenvolver projetos sociais.

O que as pessoas dizem a respeito desse e outros trabalhos que você desenvolve a respeito deste tema?
Elas ficam encantadas com a mensagem que a exposição passa.  Que todas as pessoas com síndrome de down podem ter uma vida normal e que são capazes de desenvolverem várias habilidades. Basta que tenham estímulos, incentivos e oportunidades. E que a síndrome de down é apenas uma condição genética.

Você fez as fotos inspirada na sua filha. Você não tem medo da exposição da imagem dela?
Fiz as fotos pensando nela e em todas as pessoas que tem síndrome de down, pois não temos que esconder nossos filhos, mas sim lutar pelos direitos que elas têm. Não me incomodo de forma nenhuma em expor a imagem dela. Nunca escondi a minha filha do mundo. Quando ela nasceu reuni a família toda e amigos para apresentá-la e falar que ela tinha Síndrome de Down e que ela era uma pessoa normal. Pedi que todos a tratassem normalmente. O mais importante para nós é que ela seja feliz e respeitada por todos. E faço de tudo para que isso acontecesse.

No olhar de mãe, quais são as dificuldades e como é criar uma criança com a síndrome de down?
São muitas as dificuldades principalmente a falta de informação e o preconceito da sociedade. A criança com síndrome de down tem que ter uma atenção maior, pois necessitam de muitos estímulos. Tratamentos com terapias diversas no decorrer da sua vida. São idas e vindas em profissionais de fisioterapia, fonoaudióloga, terapias ocupacionais e outros quando apresentam  alguns problemas clínicos.

O início do diagnóstico, como foi?
Tudo no início é um pouco complicado. Encontramos na nossa caminhada muitos desafios, mas nada que a gente não consiga superar com fé e amor.  Dificuldades estas, desde o nascimento quando recebemos a notícia no hospital; que aquela criança que nasceu tem síndrome de down. Os profissionais de saúde não têm nenhum preparo para chegar e falar de uma forma esclarecedora e de ajuda.

É mais emocionante fotografar crianças que tem a síndrome de down?
Acho que fotografar é um poço de emoções a todo tempo independentemente que a pessoa tenha a síndrome de down ou não. Mas no meu olhar de fotógrafa as pessoas com SD são mais acolhedoras e adoram ser fotografadas.

Exceto sua filha, por acaso você já lidou com adolescentes e adultos nesta situação? Qual a diferença?
Convivo muito com adolescentes e adultos que tem síndrome de down, ainda mais depois que eu fiz o meu projeto. Fiz grandes e novas amizades e foi um presente de Deus que ganhei. Vejo que eles são pessoas diferentes das demais, pois levam a vida mais simples, sem maldade, são prestativas e amáveis. Há todo momento recebemos um abraço carinhoso e gratuito.

Ao seu ver, o que as pessoas fazem de errado quando lidam com a síndrome de down?
A sociedade tem dificuldade para conviver com as diferenças, isolando na maioria das vezes as pessoas com síndrome de down, pois cada um de nós carrega ideias preconcebidas em relação às pessoas com deficiência, o que influenciará nas atitudes e na interação com elas. São muitas as ocorrências pelas quais a sociedade mostra sua insensibilidade, a falta de conhecimento e uma delas e a rejeição. Acho que as pessoas necessitam de um amplo e contínuo esclarecimento em relação às crianças com síndrome de Down, para que mudanças de atitudes ocorram.

Mãe e filha na exposição "47 cromossomos e 1.000 possibilidades", mostra que desmitifica a limitação de pesoas com síndrome de down (foto: arquivo pessoal).
Mãe e filha na exposição “47 cromossomos e 1.000 possibilidades”, mostra que desmitifica a limitação de pessoas com síndrome de down (foto: arquivo pessoal).

Os agradecimentos de Cecília
“Quero aqui expressar o meu profundo agradeço a Deus por ter me dado esta condição de fazer este projeto e ter me dado forças o tempo todo.  Agradeço o apoio do meu esposo Augusto Henrique e meu filho Alberto que sempre tiveram do meu lado. Meus pais e toda a minha família. A todos que fizeram parte do projeto, suas famílias que confiaram no meu trabalho e a todos que direta e indiretamente estiveram envolvidos comigo nesta caminhada. Muito obrigada por tudo. Somos todos iguais”, agrade a fotógrafa Cecília Schirmer.

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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