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Ele é cinco em um

Trabalhar um gênero musical já é difícil. Imagina trabalhar cinco gêneros musicais diferentes? Melhor ainda, pense em cinco opções juntas num álbum apenas? Esse é o desafio de Pedro Guinu que lança no mercado um disco que leva seu sobrenome e é composto pelo soul, jazz, pop, funk e MPB.

Mineiro de Teófilo Otoni radicado no Rio, Pedro se prepara para o salto mais alto de seus 35 anos de vida. Após 20 anos de paixão e carreira musical internacional, o artista vai debutar com um trabalho solo onde poderá mostrar a abrangência de seu talento e todas as lições aprendidas na estrada.

Logo de cara, o artista apresenta o single “A noite melhora”. Nascida de uma noite de insônia e registrada inicialmente em um áudio pelo telefone,  a faixa, com um forte groove, é o primeiro single do disco de estreia do artista e representa muito da aura do trabalho. “Guinu” foi feito ao vivo, como as gravações setentistas que inspiraram o disco.

Ouça A noite melhora:

Após acompanhar muitos artistas e participar de muitas bandas no Brasil e nos EUA, foi em Nashville que a sonoridade solo de “Guinu” começou a aparecer. De para cá, a carreira tornou estável e Pedro tem muito a contar. Para entender um pouco de sua trajetória e de sua nova proposta, nosso repórter Ícaro Ambrósio bateu um papo com o cantor. Veja só!

Ícaro Ambrósio Pergunta para Pedro Guinu:

Apaixonado pelo Jazz, Pedro Guinu arrisca seu primeiro trabalho solo (foto: Lucas Santos).
Apaixonado pelo Jazz, Pedro Guinu arrisca seu primeiro trabalho solo (foto: Lucas Santos).

Soul, jazz, funk, black music e MPB num  álbum. Não é informação demais para um trabalho só?
Creio que a composição é fruto da formação musical. Na minha, além da música brasileira, tive e tenho uma influência muito forte da música afro norte-americana. Todos esses gêneros, Soul, Funk e Jazz,  fazem parte deste universo. Tenho amor pelo jazz, é o gênero que mais me identifico como pianista/tecladista. Com o tempo, esses gêneros ganharam uma forma única e definiram a minha identidade musical. Então toda essa informação foi colocada de uma maneira harmoniosa no disco. Eu respeitei o meu tempo para absorver essas influencias e elaborar a minha própria sonoridade.

É possível identificar os gêneros?
Não houve divisão de gêneros, as influências estão dentro do disco.

Brasileiro gosta bastante de uma mistura musical excêntrica. Você considera  “Guinu” um álbum excêntrico? O que há de diferente nele?
Guinu é um disco de composições simples, letras leves, muito bem arranjado e executado por grandes músicos. Tem músicas pra viajar ouvindo e outras pra aumentar o  volume e dançar, partilhar momentos, ouvir no carro, no ônibus. Não considero o disco excêntrico. Existe nele uma forte linguagem pop, que divide o espaço com solos jazzísticos tocados ao vivo sem cortes ou edições. É um pop sofisticado, gravado como antigamente. Quando os músicos entravam no estúdio e gravavam um disco inteiro em horas. 

Você passou por um bom intercâmbio. As referências para seu álbum são mais brasileiras ou mais estrangeiras?
Este álbum tem um bom acento afro norte-americano, mas a raiz sempre será brasileira. No jeito de cantar, na harmonia e no ritmo. Eu sou um frequentador assíduo de jam sessions, que são encontros que os músicos fazem para tocar jazz e improvisar. Também quis trazer um pouco desse ambiente da improvisação para o disco.

Como foi processo de criação deste trabalho? Quanto tempo levou?
Conhecer e escolher os músicos certos demorou uma vida. São grandes amigos e excepcionais instrumentistas. Para compor e arranjar demorou cerca de um mês. Entre criar os demos, arranjos, ajustar as composições e letras, escrever as partituras, etc. Uso um programa de computador para gravar todos os instrumentos virtualmente. A música já toma uma forma bem interessante no computador, a partir daí escrevo as partituras. Depois foi ensaiar e gravar. Gostaria de aproveitar o espaço para agradecer Danilo Guinu, Filipe Moreno, Giuliano Fernandes , João Machala, Breno Hirata e Tercio Marques.

Este é o seu primeiro trabalho solo, mas você já passa de 20 anos de carreira. Inovar dá um friozinho na barriga?
Dá sim. Apesar de já ter gravado teclado e piano para outros artistas, não pensei que ia sentir essa adrenalina na hora de lançar o meu próprio disco. Mas estou curtindo muito a experiência. 

O que  a gravação ao vivo tem que a gravação no estúdio não tem?
Para o meu estilo de música, este tipo de gravação é fundamental. A energia do momento, o contato visual, a adrenalina, tudo isso é captado na gravação. Acho que isso traz vida pra música uma espécie de imperfeição que eu adoro. 

Do Brasil aos Estados Unidos, Pedro procura espaço no cenário musical autoral (foto: Lucas Santos).
Do Brasil aos Estados Unidos, Pedro procura espaço no cenário musical autoral (foto: Lucas Santos).

Na sua opinião, música é uma coisa familiar? É uma coisa para fazer em comunhão com os amigos, parentes e pessoas próximas?
Música é tudo pra mim. Dentro da minha família, quando não falamos de música, estamos ouvindo ou tocando. Você pode fazer música com qualquer pessoa, parente ou não, que é uma coisa boa. Eu amo música! 

Há algum artista brasileiro que você adoraria trabalhar junto? Há algum gringo?
Eu gostaria muito de fazer um som com o Hamilton de Holanda, sou muito fã dele. Mas tem muita gente. A galera de SP, Metá-Metá, Criolo, Curumim, Dani Gurgel, na Bahia o Passapusso, o Baiana System. Sempre quis fazer algo com o Donatinho e ele produziu uma faixa do disco.  Eu acompanho com atenção a cena da música brasileira atual. Em BH, por exemplo, gravei teclados no disco do Chicó do Céu. Sou amigo do galera do Zimun, do Iconili, do Djambê. Sou fã dessa galera da nova geração e adoraria tocar junto com eles sempre. Dos gringos, tem a Esperanza Spalding, Bruno Mars, Snarky Puppy, o Herbie Hancock. Quem sabe, né? When there is a dream, there is a way.

Qual o seu sonho como profissional?
Eu já vivo um sonho profissional, que é conseguir viver da música no Brasil. Mas eu ficaria ainda mais feliz se a as minhas composições despertassem sentimentos nas pessoas. Alegria, melancolia, saudade, força de vontade, etc. Seria uma honra se a minha música alcançasse essas sensações nas pessoas e toda essa troca de energia que a música tem. Isso seria incrível.  

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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