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Saiba mais sobre o câncer de próstata

O câncer de próstata é um dos mais sorrateiros letais entre os homens. Em Belo Horizonte, está doença é muito comum e os números são alarmantes, segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Ao se tratar do Estado então, a preocupação só cresce.

Em 2016, há cada 100 mil homens, estimou-se que cerca de 06 mil foram diagnosticados com a doença em Minas Gerais. Já em BH, foram 880 casos. A incidência é mais comum a partir dos 50 anos de idade, mas há registros de ocorrências em bebês de até 02 anos.

Para entender um pouco mais sobre essa anomalia, sobre o diagnóstico, prevenção e as formas como ela ataca, o nosso repórter Ícaro Ambrósio bateu um papo com o Oncologista André Murad. Veja só!

Ícaro Ambrósio Pergunta para Dr. André Murad:

Em muitos casos, os homens descobrem o câncer de próstata tarde. Por que dessa dificuldade?
Estima-se que em cerca de 25% dos casos, o câncer de próstata seja diagnosticado já em fase avançada no Brasil. Usualmente esta situação ocorre pela relutância ou resistência dos homens em procurar um médico e realizar seus exames médicos com regularidade e a devida precocidade como fazem as mulheres, que visitam seu ginecologista desde a adolescência.

Qual é o primeiro sintoma de que há um diagnóstico de câncer de próstata? Quando é preciso procurar um médico?
Problemas para urinar, sensação de que a bexiga não se esvazia completamente, necessidade de urinar várias vezes durante a noite e sangue na urina são indícios que indicam um estádio avançado da doença. Dores ósseas, principalmente nas costas, sugerem a presença de metástases, fase em que a doença já é incurável. O ideal é que diagnóstico sempre deve ser obtido antes que os sintomas surjam, para que o tratamento tenha altas chances de cura.

Dr. André Márcio Murad é Diretor Clínico da Personal. Oncologia de Precisão e Personalizada e Pesquisador e Professor coordenador da Disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da UFMG (foto: divulgação).
Dr. André Márcio Murad é Diretor Clínico da Personal. Oncologia de Precisão e Personalizada e Pesquisador e Professor coordenador da Disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da UFMG (foto: divulgação).

Quais são as faixas etárias mais comuns para as incidências de tumores na próstata?
O câncer de próstata ocorre usualmente em homens mais velhos, com idade acima dos 60 anos. 70% dos casos ocorrem na terceira idade. Entretanto, o câncer de próstata hereditário ocorre em indivíduos mais jovens, usualmente abaixo dos 55 anos. O câncer de próstata é o câncer mais comum e a segunda maior causa de morte por câncer nos homens. Cerca de 1,2 milhões novos casos e 33o mil óbitos são previstos no mundo pela doença, o que corresponde a aumento em relação ao ano de 2012 de 9,7% e 9,2%, respectivamente. No Brasil, a estimativa para 2017 é 61.200 casos novos e cerca de 13.772 óbitos (segundo tumor que mais mata os homens. O primeiro é o câncer de pulmão). É o câncer mais comum no Brasil (excluindo-se os cânceres de pele). Representa cerca de 4 em cada 10 cânceres que atingem a população masculina brasileira com mais de 50 anos de idade.

É mais difícil tratar uma pessoa idosa ou um jovem?
Via de regra é mais fácil tratar os pacientes mais idosos, até porque a doença costuma ter um grau menor de agressividade, sendo que em alguns casos podem inclusive ser apenas acompanhadas clinicamente, sem a necessidade tratamento específico, em que pese a maior possibilidade de doenças ou comorbidades, mais frequentes nos pacientes mais idosos, como diabetes e doenças cardiovasculares. Ressalto também que homens mais jovens manifestam maior preocupação com complicações relacionadas aos tratamentos, como a impotência sexual e a incontinência urinária.

Quais são os métodos de prevenção?
Vários estudos sugerem que maus hábitos alimentares, como uma dieta rica em gordura e proteína de origem animal de alimentos industrializados, enlatados, adocicados, embutidos artificialmente conservados eleva os índices de substâncias potencialmente cancerígenas no organismo, como a nitrosamina e o IGF, que é um fator similar à insulina, com propriedades estimuladoras do crescimento de células tumorais. A obesidade e o sedentarismo igualmente elevam os riscos. Portanto, uma dieta saudável, rica em verduras, legumes, frutas, grãos e peixes além da prática regular de atividades físicas e manutenção do peso ideal seriam as principais medidas preventivas.

Qual é a dica que você costuma dar para o homem no seu primeiro “exame de toque”?
Tranquilidade absoluta! O toque retal faz parte do exame clínico e é de extrema utilidade, não somente para detectar doenças benignas e malignas da próstata, mas também doenças da borda anal, do ânus como fissuras, hemorroidas e câncer, e do reto.

Quanto tempo leva o tratamento? Quais são as etapas?
Depende do tratamento. O tratamento depende do quanto a doença penetrou na próstata e se há metástase ou não. Depende também da agressividade da doença, que é medida por uma escala chamada “Gleason” e do valor do PSA no sangue. Quando a doença está apenas na próstata, o tratamento é feito com a cirurgia de retirada da próstata, ou através da radioterapia, associada ou não a uma injeção para bloquear a produção dos hormônios masculinos por 6 meses a 2 anos. O tratamento radioterápico pode ser feito de uma só vez ou em frações diárias com duração de cerca de 5 semanas. Entretanto, quando a doença invade os órgãos em volta da próstata ou quando já se apresenta com metástases, a cura não é mais possível e o objetivo do tratamento passa a ser frear o avanço da doença. Para isso, o tratamento deve ser inicialmente com o bloqueio da produção dos hormônios masculinos, e posteriormente com a quimioterapia ou novas drogas que inibam a produção dos hormônios de forma mais potente.

Ativismo nunca é demais (foto: reprodução).
Ativismo nunca é demais (foto: reprodução).

Este tipo de câncer pode ser hereditário?
Embora indivíduos obesos e de descendência africana tenham maior risco de desenvolver o câncer de próstata, hoje, através dos mais recentes estudos genéticos sobre a doença, sabemos que o principal fator de risco é hereditário e ocorre devido a mutações herdadas em genes.

Os homens tem muita resistência em encarar o câncer de próstata. Você recomendaria um psicólogo ou algum tipo de terapia para que eles se sintam mais confortáveis com o tratamento?
Para aqueles mais resistentes, principalmente os que relutam a procurar um médico para esclarecer suas dúvidas, medos e preconceitos sim, eu recomendo. É possível tratar-se de traumas psicológicos pregressos, e um profissional especializado em muito pode auxiliar.

Novembro Azul não é só uma luta contra o câncer de próstata. Na verdade, é uma campanha para a saúde do homem no geral. Quais os outros perigos que o homem encara?
Outros tipos de câncer, como os de pulmão, intestino, estômago, boca, garganta e laringe, além de doenças cardiovasculares (especialmente a hipertensão arterial, os derrames cerebrais e a insuficiência cardíaca), diabetes, enfisema pulmonar e demais doenças ligadas ao tabagismo, sedentarismo, estresse, depressão, alcoolismo, artrose, Mal de Alzheimer, Doença de Parkinson dentre outras. Cumpre ressaltar que as medidas preventivas descritas para o câncer de próstata, como a alimentação saudável, o controle de peso, os exercícios físicos regulares e o combate ao etilismo e ao consumo de bebidas alcoólicas, se aplicam também na prevenção de praticamente todas as demais doenças enumeradas.

 

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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