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Volta ao mundo em 38 anos

Afonso Cappai correndo aos 73 anos (foto: Roberto Benatti).
Afonso Cappai correndo aos 73 anos (foto: Roberto Benatti).

Dar a volta ao mundo correndo! Um projeto que começou timidamente em outubro de 1979, com o objetivo de evitar os stress, e conquistou grandes proporções. Este é o “Linha do Equador Virtual”, criado pelo atleta amador, corredor de ruas de 73 anos, Afonso Cappai de Castro. O atleta tem como meta correr a distância equivalente a uma volta ao mundo pela Linha do Equador, totalizando 40.075 quilômetros – a maior circunferência em torno da terra.

Apaixonado por corridas, Afonso já percorreu 38.075 quilômetros ao longo destes 38 anos de projeto. “É como se eu tivesse partido do Macapá em outubro de 1979 em direção ao Oceano Pacífico, contornado o mundo e hoje estaria ‘correndo’ em pleno Oceano Atlântico, em direção ao Macapá”, explica Cappai. O atleta pretende concluir os dois mil quilômetros restantes em 2018, sendo que os últimos 21 serão percorridos na cidade do Macapá, no dia 15 de novembro do próximo ano, e finalizados no marco zero da Linha do Equador.

Afonso corre cerca de duas horas três vezes na semana e os resultados são computados via GPS diretamente em seu site, para que o público possa acompanhar suas performances e sua evolução em tempo real. “Já corri em todas as capitais e em mais de 160 cidades do Brasil. Em 2019, pretendo seguir com o projeto para os países da América do Sul. Quando pensei no LEV, nas primeiras vezes, a ideia era que eu o terminasse em 2023. Mas, com foco na meta, disciplina e determinação, estou conseguindo reduzir o tempo de conclusão significativamente”, revela.

Ícaro Ambrósio Pergunta para Afonso Cappai de Castro:

De onde surgiu a ideia do “Linha do Equador Virtual”?
Nos últimos dez anos comecei a me perguntar: Quantos quilômetros já corri na minha vida, uma vez que corro desde outubro de 1979? Será que eu já corri o equivalente a uma volta em torno da terra? Quando se fala em volta à terra a imagem que passa é a da Linha do Equador. Daí veio a ideia. Mas me assustei quando vi que ela tinha 40.075 km.

Qual é o propósito desta sua iniciativa?
O propósito é o da Qualidade de Vida, com reflexos na expectativa de vida. Pretendo viver muito e com saúde e autonomia para ir e vir. Falo de mais de 100 anos de vida e estou fazendo a minha parte bem feita. Sempre contando com as mãos de Deus para me livrar das contusões.

Afonso correndo por Belo Horizonte (foto: Roberto Benatti).
Afonso correndo por Belo Horizonte (foto: Roberto Benatti).

Você começou a correr o “Linha do Equador Virtual” em 1979. De lá até aqui, o que mudou na sua vida?
Passei a ser mais cuidadoso com a alimentação, sono bebidas. Estabeleci metas e busquei cumpri-las. Outra coisa importante é que as pessoas do meu relacionamento também começaram a se cuidar. Minha esposa parou de fumar depois de 68 anos de idade e passou a fazer pilates há três anos.

Hoje você tem 73 anos de idade. Correr ficou mais difícil à medida que você foi envelhecendo?
Por mais incrível que pareça não! Eu posso dizer que sou igual a vinho. Quanto mais velho melhor. Embora eu não me considere velho. Lógico que eu não consigo melhorar resultados de velocidade e nem me preocupo com isso. Mas, cada ano que passa, estou aumentando os meus objetivos e metas. Há dez anos eu corria 1.000 km por ano. Este ano vou correr 2.400 km. Então, eu acho que ficou mais fácil. Corri a minha primeira maratona no ano passado com 72 anos de idade.

Agora só faltam dois mil quilômetros para você concluir seu objetivo. A ansiedade para terminar está grande?
Nem um pouco ansioso. Estou alegre e feliz por chegar a esse ponto, com a idade que estou, com a saúde que estou e com a cabeça que estou.

Você já correu em todas as capitais do Brasil. Qual foi a mais inesquecível?
Já corri em lugares maravilhosos e outros até inóspitos, mas por ordem de beleza natural e topografia são: Orla do Rio de Janeiro, Florianópolis e Parque Barigui, em Curitiba.

Em Belo Horizonte, onde você costumava correr? Qual seu lugar favorito?
Lagoa da Pampulha. Eu penso que é o lugar mais charmoso do Brasil para correr.

Segundo o Ministério da Saúde mais da metade do Brasil está acima do peso. O que você diz a respeito desses dados?
Eu fico indignado com isso. Gordura não é saúde, muito pelo contrário. E as pessoas vão perdendo a vaidade e a autoestima e depois não conseguem mais recuperar o corpo de outrora. A saúde paga a conta. Acho que falta muita força de vontade nas pessoas que alegam mil desculpas para não fazer o básico que é uma caminhada três vezes por semana e se alimentarem com método. A conta é uma só. Nós temos que queimar mais que consumimos.

O que seus familiares e amigos dizem a respeito do “Linha do Equador Virtual”?
Todos eles amam e o admiram. Meus 21 mil seguidores do Instagram e outras mídias sociais estão sempre mantendo contato diário comigo, me incentivando e pedindo conselhos e opiniões. Com certeza o meu Projeto LEV consegue levar motivação às pessoas.

E depois que seu objetivo for concluído, qual a próxima aventura?
Bom, como já corri em todas as capitais dos Estados brasileiros, pretendo, a partir de 2019, correr em todas as capitais dos países da América do Sul. Depois, se eu conseguir me manter nesse nível de performance, saúde e motivação, vou para a América Central e após a do Norte. Mas, a outra grande meta, após a conclusão da Linha do Equador Virtual, somente será comunicada ao público no dia 15 de novembro de 2018, em Macapá, em plena Linha do Equador, onde vou correr os últimos 21 quilômetros para completar os 40.075 km do Projeto LEV.

 

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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