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A comoção nacional pelas falsas imagens de Brumadinho

Um estudo, publicado em 2008, pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, concluiu que as informações falsas têm 70% mais chances de viralizar do que as verdadeiras e alcançam muito mais pessoas. Mas, que leva a essa crença tão efetiva nas fake news? Que as torna mais atraentes? Um exemplo coerente sobre esse estudos é a propagação de notícias falsas a respeito da tragédia em Brumadinho.

Bastaram as primeiras publicações sobre o caso serem veiculadas na mídia que, rapidamente, as redes sociais foram bombardeadas de comentários de internautas. Com a infinidade de textos e imagens circulantes nos meios digitais, torna-se, cada vez mais, difícil distinguir o falso do verdadeiro, a ponto de aquele tornar-se mais real que este.

Isso se potencializa, quando o que se tem diante da tela de um celular ou de um computador é, por exemplo, uma fotografia. Isso porque muitas pessoas ainda acreditam que ela é sinônimo de verdade, não um mero registro de um fato qualquer, uma das várias facetas da realidade, conforme nos diz o especialista e pesquisador em imagens, Prof. Dr. Jack Brandão.

Essa é uma das fotos polêmicas que não dizem respeito a tragédia de Brumadinho, mas viralizou como se fosse (foto: reprodução/Google Imagens.
Essa é uma das fotos polêmicas que não dizem respeito a tragédia de Brumadinho, mas viralizou como se fosse (foto: reprodução/Google Imagens.

Assim, além dos falsos pedidos de doações para Brumadinho, fotos e vídeos falsos também circularam nas redes, como a imagem de um bombeiro abraçando um homem, que gerou comoção nacional como se fosse da tragédia. Todavia, tal imagem foi registrada num resgate realizado em Pato de Minas (MG), em 2011. Para o Prof. Dr. Jack Brandão, toda essa comoção acontece, de maneira especial, porque junto às imagens são inseridas as legendas, ou seja, se a imagem fotográfica por si só já nos leva a acreditar em sua verdade; essa se torna inquestionável, quando estiver junto com a palavra. Sozinhas, as imagens, apesar da falsa crença de que falam por mil palavras, pouco dizem, já que cada um a interpretará conforme seu próprio acervo iconofotológico.

Na contemporaneidade, com a imprensa e a fotografia, há uma constante e inebriante mudança de referencial que foi acelerada pela enxurrada imagética que se verifica a cada segundo; dificultando, dessa maneira, uma interpretação satisfatória do que se vê no mundo. Assim, uma imagem de alguns anos, como a fotografia do bombeiro citada anteriormente, pode ser inserida, como numa colagem, a outro contexto, como se pertencesse a ele, sem que as pessoas percebam isso. Tal fato é agravado quando se insere uma legenda qualquer: somo como impelidos a acreditar nela.

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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