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Então, Brilha! inclui novos ritmos e integra músicos de comunidades

Ícone do renascimento do Carnaval de Belo Horizonte, o bloco “Então, Brilha!” prepara um cortejo com novos ares para 2019. Impactado pelo projeto Escola Brilhante de Artes, criado no segundo semestre de 2018 e com foco nos moradores do Aglomerado da Serra e da Vila Acaba Mundo, o tema do desfile ilumina a sociedade marginalizada, o desejo pela justiça social e a defesa dos direitos civis e das liberdades democráticas. E esse movimento começa com a integração dos alunos das comunidades ao coro e à ala da bateria – que também terá uma cor nova, mantida em clima de suspense.

“Queremos evocar o brilho da população que ainda sofre com acesso precário à educação, ao lazer, à renda, à segurança e à saúde. Entendemos que a transformação social que almejamos virá em parte do brilho dessas pessoas”, diz Rubens Aredes, coorganizador do bloco e instrutor da oficina de canto.

O Bloco Então, Brilha! desfilando em 2015 (foto: reprodução/Facebook).
O Bloco Então, Brilha! desfilando em 2015 (foto: reprodução/Facebook).

Outra mudança é a ampliação do repertório, misturando o axé e clássicos de tradição a outros ritmos da música brasileira, incluindo o funk, introduzido na bateria por influência das comunidades. Por fim, devido ao crescimento nos últimos anos – mais de 100 mil pessoas em 2019 –, o “Então, Brilha” muda o local de concentração, na madrugada do sábado de Carnaval (2 de março), para a avenida do Contorno, na esquina com a rua Curitiba (centro), e, a partir dos primeiros raios de sol, ruma à avenida dos Andradas.

“Mudar de cenário foi uma necessidade, para termos mais espaço. Porém, uma grande oportunidade. Nossa expectativa é que o cortejo continue sendo transformador e catártico, um espaço de encontro, de experiências e de troca de amor. Por ser maior, o novo espaço pode agregar ainda mais gente de uma cidade tão diversa e com ainda mais alegria”, acredita o maestro-regente e instrumentista Di Souza, coordenador do bloco.

Com a ampliação do repertório, o encontro vai ser celebrado em canções como “Alagados” (Os Paralamas do Sucesso), que fala da realidade das favelas; “A Serra Resiste”, de autoria de PV, regente do bloco Seu Vizinho, do Aglomerado da Serra; dentre outros temas da música baiana e brasileira que falam da transformação. O cortejo também vai contar com a participação de dez crianças da cidade de Buritizeiro, no norte de Minas, de cantores e músicos da periferia de Belo Horizonte e bailarinos de funk do Centro Cultural Lá da Favelinha (Aglomerado da Serra), um dos parceiros do “Então, Brilha!” na Escola Brilhante, ao lado da Associação Cultural Querubins (Vila Acaba Mundo), da Associação dos Moradores da Vila Acaba Mundo e da ONG Casa de Gentil (Raposos).

Para simbolizar a criatividade em solucionar os problemas de acesso ao lazer e a outros serviços sociais, o cortejo ainda promete atrações coloridas e brilhantes vindas do céu. “Mas serão surpresa, como já é nossa tradição”, diz Aredes.

Para Di Souza, o desfile de 2019 será uma marca para o bloco, pelo contexto de luta e reivindicação de direitos, especialmente no que diz respeito ao uso do espaço público. “Como diria Gilberto Gil, temos ‘fé na festa’, e acreditamos que o Carnaval de rua tem o potencial de provocar nas pessoas a celebração pelo novo e pela luta, mas tendo a alegria como ponto de partida. O objetivo é fazer com que cada um possa se autorrevolucionar por dentro”, conclui ele.

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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