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Falta de recursos ameaça esporte e proteção às mulheres

Registros foram realizados nas comunidades Irmã Dorothy e Camilo Torres, localizadas em Belo Horizonte, e na do Bairro Élisson Prieto, em Uberlândia (foto: Euler Júnior)
Foto: Euler Júnior,

Falta de recursos e atenção para o incentivo ao esporte, a proteção às mulheres e o enfrentamento à pobreza no campo foram motivos de críticas e cobranças dos parlamentares em encontro com a secretária de Estado de Desenvolvimento Social, Elizabeth Jucá, realizado nesta quarta-feira (12/6/19), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate aconteceu no âmbito do Assembleia Fiscaliza, uma jornada de encontros para prestação de contas do Poder Executivo.

Um dos pontos mais criticados e lamentados, até mesmo pela própria secretária, é a forte possibilidade de que uma tradição de 35 anos seja interrompida em 2019: os Jogos do Interior de Minas (Jimi), que reuniria 10.680 atletas do Estado. “É um desafio para nós a realização desses jogos. Eles custam cerca de R$ 2 milhões, que hoje nós não temos”, afirmou Elizabeth Jucá. Segundo ela, diante da escassez de recursos, a decisão foi priorizar os Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg).

falta de recursos para o Jimi foi enfaticamente criticada pelos deputados Coronel Henrique (PSL) e Zé Guilherme (PRP), este último presidente da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude. Ambos também criticaram a captação e condução dos procedimentos relativos à Lei de Incentivo ao Esporte, que, segundo a secretária, deverá contar com R$ 18 milhões em 2019 (embora ainda falte captar R$ 6,3 milhões).

Zé Guilherme ressaltou que, até o final de maio, houve uma suspensão da homologação dos termos de compromisso da lei de incentivo. “Temos a impressão de que o esporte está ficando para depois”, afirmou. A secretária admitiu o atraso inicial da captação de recursos, mas disse que a situação já foi superada. O deputado Coronel Henrique, no entanto, afirmou que os R$ 18 milhões previstos ainda estão muito aquém da captação em São Paulo (R$ 60 milhões) e no Rio de Janeiro (R$ 120 milhões).

As deputadas Marília Campos (PT) e Andréia de Jesus (Psol) criticaram a falta de atenção e recursos para políticas de proteção às mulheres e de combate ao feminicídio. “A cada três dias, uma mulher é morta em Minas Gerais”, ressaltou Andréia de Jesus. Já Marília Campos destacou a precariedade das 62 delegacias de mulheres que existem em Minas, um número que ela já considera muito insatisfatório, tendo em vista que são 853 municípios em Minas.

A secretária de Desenvolvimento Social disse que, diante da escassez de recursos, uma opção da pasta é investir na construção de uma Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, que priorize o estabelecimento de parcerias e políticas transversais de educação. “A questão das delegacias de mulheres esbarra na questão financeira”, afirmou a secretária. Segundo ela, a prioridade do governo é fortalecer as delegacias já existentes. “Sou uma pedinte. Peço emendas parlamentares”, brincou Elizabeth Jucá, solicitando o apoio dos parlamentares para fortalecer essa e outras políticas do setor.

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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