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Sindicatos se unem em greve geral contra reforma e cortes orçamentários

Manifestantes queimam pneus em frente a UFMG, na avenida Antônio Carlos (foto: reprodução/facebook).
Manifestantes queimam pneus em frente a UFMG, na avenida Antônio Carlos (foto: reprodução/facebook).

Eram 5h45 da manhã do dia 14 de junho de 2019 quando tudo começou. O metrô fechou. Completamente. Nem mesmo a escala mínima de 30% que exigida por lei esteve presente para demandar o serviço. O Sindicato dos Metroviários (Sindimetro-MG) deu de costas para a notificação judicial que recebem, exigindo a escala mínima, e colocou toda a categoria na rua para manifestar contra a reforma da Previdência. Eles foram.

Cerca de 1,7 mil pessoas aderiram ao movimento segundo o presidente do Sindimetro-MG, Romeu José Machado Neto. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) até conseguiu uma liminar junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinando o funcionamento de 100% dos trens, no horário das 05h30 às 10h e das 16h às 20h, com pena de R$ 200 mil no caso de desacato, mas o sindicato não acatou a decisão. “Nós fomos notificados muito tarde e ficamos sem tempo hábil para avisar todos os funcionários”, disse Machado Neto.

Quem também decidiu entrar para a causa foi o Sindicato dos Rodoviários. Unidos, os manifestantes foram as ruas para protestar. O manifesto começou na Praça Afonso Arinos, no Centro, e alastrou para a Praça Sete. também no Centro.O encerramento foi na Praça da Estação.

Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), professores e alunos também aproveitaram a deixa para acoplar o movimento contra o corte orçamentário nas universidades da rede pública de ensino nacional. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sindi-Ute-MG) abomina os 30% que o governo Bolsonaro argumentou retirar da folha de pagamentos neste ano. Na avenida Antônio Carlos, de frente à  UFMG, manifestantes queimaram pneus como ato de repúdio.

O sistema de saúde também paralisou. Apenas um médico assumiu o posto na  unidade Waldomiro Lobo, no bairro Madre Gertrudes, na região Oeste de Belo Horizonte. Já no Eldorado, UPA JK funcionou normalmente. O Hospital João XXIII também atendeu com capacidade total.

A rede de servidores municipais também teve suas paralisações. A começar pela BHTrans, por exemplo, que teve um alto número de pessoas que aderiram a greve. Trabalhadores da educação municipal também cruzaram os braços, acompanhados dos bancários de BH e região Metropolitana. Rodovias de diversos pontos do estados tiveram manifestações também. Uma mulher foi internada após inalar fumaça da combustão da queima de pneus.

Enquanto isso, o governador Romeu Zema divulgou um vídeo no story de seu Instagram orientando a Polícia Militar a não deixar vias obstruídas. “A minha orientação para a Polícia Militar foi clara, não queremos vias obstruídas, vamos desobstrui-las. É lógico respeitando a integridade das pessoas […] o nosso grande problema é o desemprego e a reforma da Previdência vai ajudar a reduzir o desemprego “, disse Zema.

 

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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