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Polêmicas da terapia hormonal feminina

O autor Dr. Adauto Versiani é presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (foto: divulgação).
O autor Dr. Adauto Versiani é presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (foto: divulgação).

Mesmo sendo uma fase natural das mulheres, a menopausa desperta muitas dúvidas por chegar acompanhada de sintomas desagradáveis e representando uma condição considerada negativa por grande parte delas. Os primeiros sintomas, como ondas de calor e alterações de humor, geram muitas dúvidas sobre fazer ou não a reposição hormonal.

A Terapia Hormonal da Menopausa foi desenvolvida para aliviar estes sintomas. Entretanto, a situação é mais complexa já que existem efeitos colaterais e contra indicações que exigem uma análise. A menopausa ocorre geralmente a partir dos 45 a 55 anos, quando os primeiros sintomas começam a acontecer. O diagnóstico somente é feito depois de um ano da última menstruação. Nesse período, ocorrem grandes modificações hormonais. A progesterona e o estrogênio, principais hormônios femininos produzidos pelos ovários, começam a reduzir e geram mais riscos para o desenvolvimento de osteoporose e doenças cardiovasculares.

Recorrer à terapia hormonal acarreta muitas dúvidas, pois existem situações em que ela é contra indicada como por exemplo, na presença de tromboembolismo; história pessoal de câncer de mama ou útero, dentre outros problemas. Nem sempre a terapia é recomendada, como nos casos com presença de tumores que dependam de estrogênios, como os de mama e endométrio (camada interna do útero), em atividade ou recentes. A terapia também deixa de ser recomendada quando a mulher possui história comprovada de tromboembolismo prévio, ou trombofilia ( maior risco de trombose) entre várias outras situações. O primeiro passo é verificar se existe alguma contraindicação para reposição de hormônio.

A diminuição da produção hormonal provoca as ondas de calor e suores noturnos, insônia, diminuição no desejo sexual, irritabilidade, depressão, osteoporose, ressecamento vaginal, dor durante o ato sexual e diminuição da atenção e memória. Os sinais variam. O tratamento com a reposição hormonal alivia os sintomas e não cessa o processo da menopausa.

Normalmente, a terapia é indicada para o alívio dos sintomas da menopausa, conservação do trofismo vaginal, preservação do osso e da pele, melhora do bem-estar geral e da sexualidade. Entretanto, o receio de agravar ou desenvolver doenças levam muitas mulheres a desistirem do tratamento.

A reposição é como qualquer outro procedimento médico ou cirúrgico. É imprescindível avaliar os benefícios, riscos e como os sintomas afetam a qualidade de vida. A avaliação individual determina a indicação da reposição hormonal, dependendo de cada caso.

Os sintomas da menopausa serão os mesmos para a maioria delas, mas a intensidade pode variar. Além da avaliação clinica, o médico deve solicitar um exame para confirmar a falência dos ovários. É fundamental ao observar os primeiros sintomas, procurar um médico, especialmente o endocrinologista ou ginecologista, para avaliar a situação. Geralmente, o tratamento ideal é realizado com dosagens relativamente baixas de estrogênios, por via oral ou transdérmica (adesivos sobre a pele ou gel) quando não se tem o útero e estrogênios e progesterona quando se tem o útero. Na ausência de sintomas, a reposição hormonal não se faz necessária.

Atenciosamente,

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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