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População repudia mineração na Serra do Brigadeiro

Moradores da Zona da Mata falam sobre impactos socioeconômicos e ambientais que podem ser gerados com projetos da CBA (foto: Daniel Protzner).
Moradores da Zona da Mata falam sobre impactos socioeconômicos e ambientais que podem ser gerados com projetos da CBA (foto: Daniel Protzner).

Cerca de cem pessoas, entre membros de entidades e cidadãos de municípios do entorno do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata, disseram não à atividade minerária na região. Eles participaram de audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), a reunião teve como objetivo debater os impactos socioeconômicos e ambientais da mineração nessas localidades, incluindo a violação de direitos da população atingida por esses empreendimentos. Jean Carlos Martins, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), foi enfático: “a mineração não tem o que oferecer a esta população; se for preciso, vamos para a frente das máquinas”.

Comunidades temem que mineração afete patrimônio hídrico da região
Comunidades temem que mineração afete patrimônio hídrico da região (foto: Daniel Protzner).

De acordo com ele, há ilegalidades nos processos de licenciamento ambiental, como o desrespeito a uma Lei municipal de Rosário da Limeira a qual prevê que não pode haver mineração em área de preservação permanente (APA). Outro problema é que a mineração estaria particionando os relatórios de impacto ambiental, o que impede os órgãos de ter uma visão do impacto total dos empreendimentos.

O professor do Instituto Federal de Educação do Sudeste de Minas, Lucas Magno, destacou que a Serra do Brigadeiro tem uma das maiores jazidas brasileiras de bauxita. A substância, que se transforma em alumínio após o refino, é cobiçada principalmente pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Lucas explica que a bauxita torna poroso o solo onde é encontrada, criando grandes reservatórios de água. “Por isso, nossa região é considerada uma verdadeira caixa d’água. Se retirarem a bauxita, esse processo geológico será freado”, alertou. Com isso, seria deteriorado um grande patrimônio hídrico, que inclui diversas nascentes que ajudam na formação de rios como o Doce e o Paraíba do Sul.

O professor acrescentou que, se todas as áreas pleiteadas pela CBA forem concedidas, a região ficará como um “queijo suíço, cheio de buracos”. E invadiria APAs de três municípios da Mata: em Pico do Itajuru (Muriaé), Serra das Aranhas (Rosário de Limeira) e Rio Preto (São Sebastião da Vargem Alegre).

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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