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Novembro Azul e o cuidado com a saúde masculina

No fim de outubro de 2003, os amigos Travis Garone e Luke Slattery tomavam cerveja em um bar de Melbourne, na Austrália, quando decidiram propor um desafio: deixar o bigode crescer e investir a quantidade de dinheiro que seria gasto nos produtos de barbear na ajuda do combate do câncer de próstata. A ação dos rapazes ganhou adeptos e se tornou o Movember, inspiração do Novembro Azul. Somente em 2008 que a campanha chegou ao Brasil, com intuito de quebrar paradigmas e preconceitos relacionados à ida do homem ao médico e promover ações focadas na saúde masculina.

Ativismo nunca é demais (foto: reprodução).
Ativismo nunca é demais (foto: reprodução).

De acordo com o médico urologista do Hospital Felício Rocho, Dr. Carlos Vaz de Melo Maciel, a resistência que muitos homens apresentam diante de uma consulta médica é um estigma do próprio gênero. “Isso vem dos nossos antepassados. O homem tinha que trabalhar e gerar sustento para a família, não podia adoecer. Sem contar que ainda existe muito preconceito com o exame de toque. Porém, nos últimos anos, isso tem melhorado graças às campanhas de conscientização”, afirma.

Entre as doenças que o Novembro Azul mais se propõe a discutir está o câncer de próstata. Segundo dados do Ministério da Saúde, esse tumor é o segundo mais comum entre os brasileiros, sendo responsável pela morte de 28,6% da população masculina. A pasta da saúde ainda estima que um homem morre a cada 38 minutos em consequência do câncer de próstata.

Localizada abaixo da bexiga, a próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino que, juntamente com as vesículas, é responsável pela produção do fluido seminal. Quando é atingida pelo tumor, ela aumenta de tamanho com o passar dos anos. O avanço do tumor não ocorre de maneira veloz, em muitos casos a próstata leva cerca de 15 anos para crescer um cm³. Porém isso não permite que os homens sejam descuidados com a própria saúde, exames preventivos como o de toque e o de sangue (PSA), devem ser feitos ao atingir certa idade. “A recomendação, hoje, para quem tem histórico familiar de câncer de próstata, é que inicie os exames aos 45 anos, já os que não têm, o ideal é que faça os exames aos 50 anos”, ressalta o médico.

Por ser uma doença silenciosa, muitos homens só percebem os indícios quando o tumor já está em fase avançada. Nesse estágio, os sintomas são dor nos ossos, vontade de urinar com frequência e presença de sangue na urina ou no fluido seminal. Apesar de ser mais frequente em idosos, fatores como obesidade, alterações hormonais, má alimentação, sedentarismo e etnia – homens negros são mais propensos a desenvolver câncer de próstata – influenciam no surgimento do tumor.

A incidência desse tipo de câncer no Brasil aumentou consideravelmente. A última estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgada em 2018, aponta que, para o biênio 2018/2019, o número de novos casos é de 68.220. “A incidência do câncer de próstata no país e no mundo tem aumentado por vários motivos, um deles é porque as pessoas estão fazendo mais exames de diagnóstico. Nas décadas de 1940 e 1950, por exemplo, a pessoa tinha câncer de próstata, mas não tinha o diagnóstico. Outro fator importante é que os brasileiros estão vivendo mais e, como se sabe, o câncer de próstata é mais comum em idosos”, explica.

Além de combater o câncer de próstata, a campanha Novembro Azul também pretende conscientizar a população masculina sobre os riscos da desatenção com a saúde. “O tumor no intestino é muito comum nos homens, por isso, é importantíssimo o exame preventivo de colonoscopia, além de check-up periódico e regular para prevenir doenças do coração, como pressão alta, obstruções das coronárias e infarto”, recomenda o urologista.

Ícaro Ambrósio
Ícaro Ambrósio é jornalista e editor-chefe do site O Contorno de BH.

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